segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Marcílio Dias Pereira: um grande combatente por Catanduva.

Marcílio Dias Pereira - Herói de 32.

 
As presentes informações que constituem a biografia do Herói de 32, Marcílio Dias Pereira foram extraídas da entrevista nominada "Frente Leste - Um depoimento dobre Trinta e Dois, cinquenta anos depois...", de autoria de Marcílio Dias Pereira Júnior. Este, filho do protagonista principal, sábia e sensivelmente colheu o depoimento de seus pai e de sua mãe a Senhora Albertina Baldo Pereira na forma de uma entrevista, realizada cinquenta anos após a Epopéia Paulista, sobre os feitos catanduvenses na Revolução.
 
Marcílio Júnior, importa ressaltar, é um amigo pessoal, advogado renomado, pessoa com imensurável cultura, de trato fácil, sorriso largo, extremamente simpática e agradável, que adora um bom bate papo informal, dos quais saio invariavelmente recompensado por ter recebido mais conhecimentos relevantes.
 
Marcílio Júnior também é pessoa pública, tendo sido Vereador do Município de Catanduva por várias vezes, participa ativamente de vários grupos sociais que buscam a melhora de nossa região, Estado e País e é também o Presidente do Conselho Comunitário de Segurança - Conseg de Catanduva, do qual também participo e atesto a brilhante e diferenciada atuação em nossa cidade.
 
"Cresci, ouvindo meus pais, na hora das refeições,
falarem de Trinta e Dois. Tanto meu pai como minha mãe testemunharam,
vivendo e participando, a Revolução Constitucionalista."
                                                                                               Marcílio Dias Júnior
 
A seguir seguem partes do texto, selecionadas por serem as julgadas mais relevantes, transcritas no formato original de pergunta e resposta.
 

Entrevistador: Marcílio, quem é você?
Marcílio: Marcílio Dias Pereira. Paulista. Natural de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. Portanto, mogiano. Nasci na Rua Barão do Amazonas, 42. Em 1910, mês de junho, dia 12. Filho de Major Arnaldo Augusto Pereira e Maria Emília Ramos Pereira.
 

Entrevistador: Quem eram os homens da época?
Marcílio: Em 1930, o Presidente da República era Washington Luís. Era também o líder do PRP, Partido Republicano Paulista. Chamavam-no de "Paulista de Macaé", porque nasceu no Rio e vivia em São Paulo. A meu ver conduzia o país magnificamente bem. Getúlio Vargas chefiou a chamada Revolução de 30. Vitoriosa esta, passou ele, Getúlio, a ser o Presidente da Rapública. Whashington foi deposto. Foi para o exílio. Mais tarde, ele disse a um repórter: "Morri em 30, não tenho mais memória...". Pedro de Toledo foi Governador de São Paulo. O Coronel Euclides Figueiredo, pai do João Batista, era, em 32, o Comandante da Segunda Região Militar. Isidoro Dias Lopes, o chefe das Forças Revolucionárias. Bertoldo Klinger, que era Comandante da Circunscrição de Mato Grosso, aderiu ao movimento constitucionalista, tornando-se o Comandante do Exército Constitucionalista.

 

Entrevistador: E como ia o Governo Vargas, em 32?
Marcílio: Era uma ditadura. E foi para que o Brasil tivesse uma constituição que São Paulo pegou em armas em 32.
 

Entrevistador: E quando você ouviu falar, pela primeira vez, na Revolução de 32?
Marcílio: No célebre 23 de maio daquele ano, quando foram barbaramente assassinados Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Suas iniciais, depois, passaram a formar a sigla MMDC, nome do órgão que recebia a adesão dos voluntários. O Dráusio era apenas um ginasiano de catorze anos. Havia uma quinta vítima, segundo dizem. Se não me engano seu nome era Alvarenga. Orlando Alvarenga. Nessa época, em maio de 32, já se pensava em uma revolução.


Entrevistador: Aqui em Catanduva, como foi recebida a notícia do 23 de maio, do MMDC?
Marcílio: Pensando em revanche.


Entrevistador: E quando chegou a notícia de que, a nove de julho daquele ano, São Paulo havia se levantado, dando à luz à uma Revolução Constitucionalista?
Marcílio: A Revolução estourou num sábado à tarde. No domingo a notícia já havia chegado em Catanduva. No dia imediato portanto.

Entrevistador: E como a população de Catanduva reagiu à notícia de que estávamos vivendo uma Revolução?
Marcílio: A população em cheio procurou organizar batalhões, mesculinos e femininos, para fazer frente à Vargas, o ditador.


Entrevistador: E quem era prefeito de Catanduva, nessa época?
Marcílio: Doutor Francisco Araújo Pinto.


Entrevistador: Patentes Militares?
Marcílio: Catanduva estava por nossa conta.


Entrevistador: Houve comício em Catanduva?
Marcílio: Vários. Num, entre eles, o Major (pai de Marcílio Dias Pereira) tomou parte e declarou que, sendo sexagenário, não iria para a frente de batalha, mas que tinha dois filhos que iriam, que saberiam cumprir seu dever. Tais filhos eram eu e o Euclides.


Entrevistador: E quando ele disse isso, vocês já sabiam que iriam para a Revolução?
Marcílio: Não, não.


Entrevistador: Então foi seu pai quem resolveu que vocês iriam?
Marcílio: Não. Foi a partir desse comício que a idéia de participar da Revolução tomou corpo. Tanto é que 44 rapazes, de Catanduva, com Jaboticabal e Sertãozinho integraram o Primeiro Batalhão, Batalhão Francisco Glicério, em Campinas. Nosso Batalhão ficou sendo conhecido como Batalhão do Chico. Esse Batalhão foi incontinenti remetido para a frente de batalha, em Eleutério.
 
Em pé: Jovino Volpon, Renato Néris Macedo e dois não nominados.
Sentados: Fernando Sanches (blindado), Benedito Lopes, Alcindo Marques e Valdemar Guanaes.
Deitado: não nominado.
 

Entrevistador: As Forças Armadas colocaram homens nas ruas de Catanduva?
Marcílio: Não, a Linha de Tiro, hoje Tiro de Guerra, é que tomava conta de tudo.
 

Entrevistador: A favor de São Paulo?
Marcílio: A favor de São Paulo, claro.
 

Entrevistador: Quem comandava as Forças Revolucionárias?
Marcílio: Bertoldo Klinger, que comandava a circunscrição de Mato Grosso, aderiu ao movimento já deflagrado e tornou-se comandante do Exército Constitucionalista. Euclides Figueiredo, que era Coronel, assumiu o comando da Segunda Região Militar, que abrangia São paulo. Isidoro Dias Lopes era chefe das Forças Revolucionárias.
 
Entrevistador: Quem comandava as forças contra nós?
Marcílio: Goes Monteiro, General.
 
Entrevistador: E a Força Pública, estava conosco?
Marcílio: Estava. Eu mesmo vesti o uniforme da Força Pública, no final da Revolução.
 
Entrevistador: Quem era o Comandante da Força Pública?
Marcílio: Herculano de Carvalho e Silva, mais tarde considerado traidor por ter assinado o armistício.
 
Entrevistador: O movimento teve repercussões internacionais?
Marcílio: Paulistas que, em 32 estavam na Europa, tudo fizeram para que as Nações do Mundo não auxiliassem a ditadura Vargas. Júlio Prestes, por sua vez, que seria o sucessor do Washington, se recusou a chegar ao poder por intercessão do governo inglês (mediativo). São Paulo escreveu uma história com sangue puro.....Júlio Prestes foi eleito pelo voto direto.
 
Entrevistador: Houve preparação bélica?
Marcílio: Não, Ela aconteceu durante a Revolução.
 
Entrevistador: A Revolução alcançou todos os paulistas?
Marcílio: A mulher, o velho e a criança paulistas disseram presente.
 
Entrevistador: Marcílio, como vocês saíram de Catanduva?
Marcílio: De trem, fardados. Esperamos o tempo suficiente para que nossas fardas ficassem prontas. Passagem livre. O trem saiu às dezoito horas. Era dia dezenove.
 
Entrevistador: E o destino original de vocês?
Marcílio: O destino do Euclides, meu irmão, era o 5º R.I. de Lorena. E o meu era o 6° R.I. de Caçapava. Mas nossa visagem foi interrompida em Campinas...
 
Entrevistador: E como isso aconteceu?
Marcílio: Um Oficial nos retirou da composição e nos colocou em forma.
 
Entrevistador: E esse oficial viajava com vocês?
Marcílio: Não. Não. Ele apareceu para nós, em Campinas.
 
Entrevistador: Quem era ele?
Marcílio: Não sei. Até hoje não sei o nome dele. Sei que cumpria ordens de quem acabou sendo o nosso Capitão: Antônio de Menezes Moura, o Capitão Moura.
 
Entrevistador: Você saiu daqui, de Catanduva, com a bênção de seu pai. E sua mãe, como reagiu à idéia de você e o Euclides irem para o campo de batalha?
Marcílio: Com duas lágrimas, sem se opor à nossa ida.
 
Entrevistador: Você se lembra de quem viajou com você naquele trem?
Marcílio: Dr. Francisco lopes Ladeira, o doutor Chiquit, que foi seu médico. Benedito Lopes. Dois funcionários das Casas Pernambucanas. Doutor Boanerges Carlos Luz. Sebastião Vaz. Mário Senize. Jair Martins Ferreira. Vital Martins Ferreira. Paulo Coura. Arnardino Paiva Silva Filho. Quando você era pequeno, ele, já bem maduro, brincava com você. Fernando Sanches, Joaquim Ramos da Silva, o Joaquim Leiteiro, irmão do Renato Ramos da Silva. Valdemar Guanaes. Antônio Paião. Jovino Volpon... Tantos outros...
 
Entrevistador: Vocês chegaram a Campinas e o Capitão os retirou do trem. Em que termos? Pediu? Exigiu? Disse por quê? Consultou?
Marcílio: Ele nos colocou em forma. Assumiu o Comando. E nos levou para um grupo escolar, onde recebemos ordem para embarcar imediatamente para Eleutério, na Frente Leste...
 
Entrevistador: Marcílio, quem comandava o seu pelotão?
Marcílio: O Tenente Alcindo Marques, que era funcionário do Banco Comercial do Estado de São Paulo, em Catanduva.
 
Entrevistador: Tinha desempenho satisfatório?
Marcílio: Tinha.
 
Entrevistador: A turma era comportada?
Marcílio: Éramos rapazes, na faixa dos vinte anos. Um dia, o Mário Senize assumiu o comando da companhia. Nós estávamos aquartelados num grupo escolar. Os portões estavam abertos e fomos dar um passeio pela cidade...
 
Entrevistador: Ele tinha patente?
Marcílio: Soldado raso.
 
Entrevistador: Houve consequências?
Marcílio: Felizmente não. Demos uma volta.
 
Entrevistador: Seu primeiro passo, depois de Campinas, foi Eleutério. Aconteceu ali algo digno de nota?
Marcílio: (muda o semblante, não está tão descontraído) O blindado... o blindado. O trem blindado. Nove efe-emes simples de cada lado e uma eme-pê atrás. E a máquina... Uma carnificina...
 
Entrevistador: Era Nosso?
Marcílio: Nosso.
 
Entrevistador: Na Revolução, onde é que vocês dormiam?
Marcílio: Debaixo de pé de café, quando em campo de batalha. Não tínhamos barracas, não, mas quando chegávamos na cidade, aí sim, íamos dormir nas repartições públicas.
 
Entrevistador: Qual o trajeto percorrido por vocês?
Marcílio: Saímos de Catanduva, como disse. Aí, houve a parada em Campinas, quando fomos incorporados ao Batalhão do Chico, Batalhão Francisco Glicério. Daí, fomos para a Frente Leste, Eleutério, Barão de Ataliba Nogueira, Pantaleão, Brumado, Amparo, Coqueiros, São João da Boa Vista, Mococa.
 
Entrevistador: Onde mediram forças com os legalistas?
Marcílio: Apremdeu é? Legalistas eram os homens da ditadura. Medimos forças com eles, violentamente, em Pantaleão, Brumado e Amparo.
 
Entrevistador: E a fome, como é que vocês a matavam?
Marcílio: Nos lugares onde estivemos, sempre fomos bem recebidos... Recebíamos comida do pessoal, que espontaneamente nos alimentava. Agora, meu caro, quando não se tinha o que comer, o remédio era passar fome...
 
Entrevistador: Certa vez, você me contou a história de um frango que virou refeição de vocês...
Marcílio: Ah, isso não... isso não...
 
Entrevistador: Vale a pena, Marcílio. Conta Marcílio.
Marcílio: Um frango, não. Vários frangos... Eu e o Fernando Sanches, de uma família de espanhóis, antiga de Catanduva, comerciantes, e mais dois ou três rapazes fomos arranjar "bóia". Chegamos no quintal de uma fazenda, vimos lá muita banana ouro, bonita, e uma porção de galinhas. Tudo no ponto... Nosso pensamento foi um só. Aí, bem à tempo, aparece uma mulher em estado interessante e nos diz: não levem as minhas galinhas. São para a minha dieta. Meti a mão no bolso e peguei uma importância elevada e dei. Ela diz: assim, o senhor pode levar todas. E, de quebra, vai um cacho de banana. E assim, naquele dia, comemos carne de galinha. Sem sal, sem nada. Mas com banana.
 
Entrevistador: Isso foi onde?
Marcílio: Em Eleutério.
 
Entrevistador: De dia ou de noite?
Marcílio: De dia. Foi esse Fernando Sanches que me deu o terno que eu usei, quando a Revolução acabou. E vesti esse terno pra poder viajar tranquilo. Fernando Sanches... vulgo Blindado.
 
Entrevistador: Uma vez você me disse que dormiu no cemitério, sem saber. Como foi que isso aconteceu?
Marcílio: Isso foi em Mococa. Noite muito escura. Pensamos que era uma trincheira. Era uma cova. Só de manhã que fomos ver. 
 
Atrás: Jair Martins Ferreira, Renato Cabral Neves e Silvério Minervino.
À frente: Mario Senise, Marcílio Pereira e Vital Martins Ferreira.
 
Pilotando: Marcílio Dias Pereira.
Na garupa: Joaquim Ramos da Silva, o "Joaquim Leiteiro".
 
Deitado ao centro Marcílio Dias Pereira, junto de outros companheiros de campanha.
 
Em pé da esquerda para a direita: moça não nominada,
Sebastião Vaz, moça não nominada, rapaz não nominado,
Jovino Volpon, Valdemar Guanaes, moça não nominada.
Ajoelhado à esquerda: Antonio Paião.
Sentado à esquerda: Sita.
 Mário Senise.
Ajoelhado ao centro: Mário Senise.
Ajoelhado à direita: Delduque Osório Franco.
Deitado ao centro: Joaquim Ramos da Silva.
Sentado na extrema direita: Marcílio Dias Pereira.
 
Valdemar Guanaes, Marcílio Dias Pereira, Antônio Paião e Sita.
 
Marcílio Dias Pereira, Delduque Osório Franco e Joaquim Ramos da Silva.

 
Observação: esta matéria não está terminada, encontra-se em construção.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Nome do Veterano de 32 capitão Gino Struffaldi é atribuído a Praça em São Paulo


Clique na imagem e conheça o Decreto de criação dessa belíssima homenagem ao nosso Veterano de 32 capitão Gino Struffaldi